trilha de bolso

.

se estiver ouvindo música, não desligue
se estiver com fones de ouvido, não tire
num lugar barulhento, permaneça
e o silêncio também trilha

.

cut up | trilha de bolso
a trilha é o que estiver no seu bolso, se quiser contar qual foi (deixando um comentário) será incrível! ouça a playlist com as trilhas experimentadas em: blip.fm

.

.

Resumo
.

Hoje, com a popularização de dispositivos portáteis de armazenamento de som, as pessoas ouvem música o tempo todo pela grande São Paulo. Com isso modificando a percepção do real e criando novas realidades. A proposta desse vídeo sem som (sem trilha), é que as pessoas assistam escutando a música que estiver na hora em seu “mp3 player”. Com isso, cada um terá uma experiência distinta. Criando uma arte participativa pela parte do expectador e também dando parte da autoria para quem vê, pois cada pessoa verá uma obra diferente.
.

Palavras chave: Vídeo | Interação | Cut ups
.

Cut ups . método de escrita hipertextual, questiona o conceito de autoria.

.
Efeito Kuleshov . resultado de experimentos do cineasta russo Lev Kuleshov “com sua justaposição de planos, criando uma nova significação inexistente nos planos isolados.”

.

cut ups | William Burroughs
.

.

filme-ensaio | Dziga Vertov
.

Introdução
O projeto “Trilha de Bolso” tem como objetivo experimentar a relação entre a imagem e o som através da técnica de Cut-ups desenvolvida por William Burroughs e a portabilidade dos dispositivos sonoros.

O vídeo composto por uma colagem de imagens sem uma narrativa seria somado ao som que o expectador estivesse ouvindo em seu dispositivo portátil de som. Com isso se criaria um terceiro elemento, e cada pessoa assistiria uma obra diferente. Uma vez que o vídeo sempre será o mesmo, porém a música ouvida será diferente e criará algo parecido com o “Efeito Kuleshov”, porém ao invés da justaposição de planos, será a soma da imagem com cada som.

As imagens desse cut-up foram inteiramente baixadas da internet, são de domínio público e foram editadas com 3 cenas da “Trilogia Das Cores”, de Krzysztof Kieslowski. Por quê essa trilogia?

Porque nessa trilogia, que pode ser vista como um ensaio, o cineasta polonês trás sua visão pessoal com relação aos processos da unificação européia (econômica e política), à solidão e ao tempo – dialogando com as imagens escolhidas para o “Trilha De Bolso”. Mas, principalmente porque utiliza a trilha sonora como personagem, como parte da história, o que expande as possibilidades de articulação: “ela torna-se, ao mesmo tempo, sujeito e meio ou, como diz Michel Chion, heroína e utilitária”. Nessa trilogia, com o inseparável Zbigniew Preisner.

Por quê essas imagens? Buscamos imagens que nos remetem automaticamente ao som que delas emanam, que produzem sons conhecidos, sons que imaginamos intuitivamente ao ver a imagem.

Com a internet e as novas mídias, as formas de convivência entre as linguagens imagética e sonora tem sido debatida e experimentada, por diversos artistas, estudiosos e diferentes pontos de vista. Ainda poucas conclusões efetivas e difundidas.

Devido à internet, o formato “.mp3” (entre outros como .ogg, .wav, etc.) se difundiu pelo mundo todo, e com a disseminação de tocadores de mp3, as pessoas carregam a música para onde vão. Com isso criando uma nova experiência com o real.

A idéia do vídeo “Trilha De Bolso” é criar uma obra audiovisual onde o sentido só se completa com a participação do público ouvindo seu tocador de música. Através da interação pela internet, o expectador pode também alimentar uma rádio virtual (uma playlist) na Blip.fm (conceito similar ao do twitter).

.

Justificativa
A relação imagem e som já estava presente no cinema mudo quando músicos ou orquestras inteiras acompanhavam musicalmente as produções cinematográficas e não apresentavam uma preocupação que relacionasse o conteúdo musical ao conteúdo narrativo. Em cada sala de cinema o mesmo filme recebia uma trilha diferente, pois os artistas escolhiam as composições a serem tocadas na hora.

Ao discutir a Linguagens dos Sons no seu livro “O Cinema Ou O Homem Imaginário”, Edgar Morin assinala que na maioria das vezes a música significa a imagem e a imagem significa a música, remetendo a “uma espécie de concurso de inteligência”. Logo, considera que a trilha musical seja inerente ao cinema, “como que seu banho alimentício”.

“Wochenende” (1930) de Walter Ruttman não possui imagens, alimentando a criação de imagens a partir de sons que foi repetido em 1993 na produção “Blue” de Derek Jarman. “O Baile” (1983), de Ettore Scola mostra imagens de tal forma que a musica é a Linha Narrativa do filme.

Com o advento do formato videoclipe, uma nova relação entre e imagem e som se tornou possível, uma vez em que a imagem apenas dá suporte ao som. Arlindo Machado afirma que houve uma ruptura entre a barreira do imagético e do sonoro, não havendo mais uma música fora do clipe que possa ser ouvida independentemente dele. leticiakamada

Destaque para o trabalho de Golley & Creme no vídeo “Mondo Vídeo” (1986) onde a trilha foi criada junto com o videoclipe, não havendo dissociação da imagem e do som. No trabalho “Vermelho Sangue”, de Luiz Duva, a variação na sucessão das imagens gerava intensidades de violência e afeto, se ultlizando do “Efeito Kuleshov”. Havia ainda uma sobreposição das imagens. A cena projetada era a mesma, assim como a situação apresentada em cada tela. Os cortes e fusões realizados eram sincrônicos, mas pareciam diferentes, carregando temporalidades de movimentos distintos.

De acordo com Eduardo Mendes, “se houver um pensamento articulado entre os fenômenos imagéticos e sonoros haverá uma maior capacidade da transmissão de informações, o que nenhum dos dois elementos conseguiria separadamente”. Priscila Arantes em “processos de hibridação”.

.

Problemática
A trilha sonora de uma produção audiovisual é 50% da obra, no mínimo. Quem nunca assistiu TV, filme, clipe, vídeo sem som? no “mute”? e teve outra apreensão das imagens?

Criar uma obra participativa onde a + b = c.
.
a = imagem
b = som (interação do expectador)
c = ? = terceiro elemento

.
a+b=c

..
.
Referências Bibliográficas
. O Ouvido Pensante . Schafer, Murray
. O Som E O Sentido . Wisnik, José Miguel
. A Forma Do Filme . Eisenstein, Sergei
. La Musique Au Cinèma . Michel Chion
. Arte E Mídia . Arantes, Priscila
. O Cinema Ou O Homem Imaginário . Morin, Edgar
. Síndrome De Realidade . Bambozzi, Lucas
. Pré-Cinemas & Pós-Cinemas . Machado, Arlindo
. O Filme-Ensaio . Machado, Arlindo
.
Internet
http://pt.wikipedia.org
http://www.tativille.com
http://www.ufscar.br/rua/site/?p=122 (a música em kieslowski)
http://www.arthuromar.com.br
http://www.museuvirtual.com.br/arthuromar
http://www.tonyberchmans.com.br
http://www.museuvirtual.com.br/arthuromar
http://www.intermidias.com
http://ohomemquesabiademasiado.blogspot.com
http://www.pucsp.br/pos/cos/rism
http://www.lazaruscorporation.co.uk/v4/cutup/ (máquina de cut up online)
.

.

Anúncios

2 comentários em “trilha de bolso

  1. uau!
    tava ouvindo o Lincoln tocar piano com pandeiro pré gravado, uma música do Heandel (como escreve?).
    música rapidinha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s