corpo em cena

Difícil Fotografar o Silêncio

Manoel de Barros

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Manoel de Barros BARROS, M. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

Livro | Ensaios Fotográficos | Manuel de Barros

POESIA

  • poesia verbal   x   metáforas imagéticas
  • metáforas
  • poética = reino das imagens mentais
  • reino das imagens = reino das DESpalavras

Em ‘Ensaios Fotográficos’, Manoel de Barros mistura árvores e Bach, une Maiakovski a pássaros, mescla Shakespeare e Buson aos pequenos seres manoelinos, combina Rabelais com as pedras. O poeta usa a idéia da imagem e da fotografia na busca do instante-nada das coisas, encarna um fotógrafo que retrata o silêncio, o perfume, o vento.

Nesta leitura da obra de Manoel de Barros, tentaremos identificar diferentes modos de relação entre visualidade e discursividade lírica, enfatizando, sobretudo, o diálogo dos seus textos com a fotografia, arte técnica que segundo Benjamin deflagra todo um processo de mudança contextuais e de novas reflexões em torno das artes visuais na modernidade.

Manoel de Barros


 

Livro | INSTRUÇÕES PARA SUBIR UMA ESCADA | Julio Cortázar

INSTRUÇÕES PARA SUBIR UMA ESCADA

Julio Cortázar

Ninguém terá deixado de observar que frequentemente o chão se dobra de tal maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e logo a parte seguinte se coloca paralela a esse plano, para dar passagem a uma nova perpendicular, comportamento que se repete em espiral ou em linha quebrada até alturas extremamente variáveis. Abaixando-se e pondo a mão esquerda numa das partes verticais, e a direita na horizontal correspondente, fica-se na posse momentânea de um degrau ou escalão. Cada um desses degraus, formados, como se vê, por dois elementos, situa-se um pouco mais acima e mais adiante do anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra combinação produziria formas talvez mais bonitas ou pitorescas, mas incapazes de transportar as pessoas do térreo ao primeiro andar.

As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incômodas. A atitude natural consiste em manter-se em pé, os braços dependurados sem esforço, a cabeça erguida, embora não tanto que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se está pisando, a respiração lenta e regular. Para subir uma escada começa-se por levantar aquela parte do corpo situada embaixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça, e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos de pé, recolhe-se a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-se à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé, e no primeiro descansará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)

Chegando dessa maneira ao segundo degrau, será suficiente repetir alternadamente os movimentos até chegar ao fim da escada. Pode-se sair dela com facilidade, com um ligeiro golpe de calcanhar que a fixa em seu lugar, do qual não se moverá até o momento da descida.

http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2048019

 


PRESENÇA


O que diferencia uma experiência estética de

qualquer outro tipo de experiência?


Livro | Filosofia da Caixa Preta | Vilém Flusser

 

Quem escreve precisa de dominar as regras da gramática e da ortografia. O fotógrafo amador apenas obedece a «modos de usar», cada vez mais simples, inscritos no lado externo do aparelho. democracia é isto. Deste modo, quem fotografa como amador não pode decifrar fotografias. A sua «praxis» impede-o de fazê-lo, pois o fotógrafo amador, crê que o fotografar é o gesto automático graças ao qual o mundo vai aparecendo. Impõe-se uma conclusão paradoxal: quanto mais gente houver a fotografar, tanto mais difícil se tornará o deciframento de fotografias, já que todos acreditam saber fazê-las…”

leia mais

 

Livro | Gestos | Vilém Flusser

Gestos

como potência de deslocamento produzindo estética

  • o fotógrafo como um dançarino ao redor do “objeto”
  • vários pontos de vista que destroem a ideologia = defesa de um único ponto de vista

 

Ampliar o universo CULTURAL

o que me interessa não é como a pessoa se move, mas o que a move

PINA BAUSCH


Sorte merecida

 


Momento do clique

antes

imagem

  depois

  • momento congelado na escultura
  • merece ser perpetuado
  • fragmento do todo
  • retirar do tempo

Tabac Rouge | James Thiérrée

 

Flipbook | Cinematógrafo

  • cria a ilusão do movimento
  • 24 fragmentos (frames/fotograma) no cinema
  • 30 vídeo
  • 15 a 20 no cinema mudo

Dib Lutfi


luz x Sombra

 


posicionamento do fotógrafo

 

  • CORPO = não tem como não comunicar
  • COMUNICAÇÃO = palavra (7%) + qualidade voz (38%) + corpo (55%) postura + gesto + expressões
  • GESTO como potência de deslocamento  produzindo estética, que perdemos qdo ficamos codificados (industrial)
  • DANCER (Flusser) muitos pontos de vista
  • CAÇADOR?
  • PINA = o que me interessa não é como a pessoa se move, mas o que a move
  • LABAN = sistematizar a linguagem do movimento / relação do indivíduo com o espaço ao seu redor (dança sem música)




iluminação Cênica

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Primeiramente, irei apresentar cada um dos modelos de refletores e spots usados na criação de ambientes e efeitos em iluminação cênica, qual a utilidade, quais efeitos são obtidos com cada tipo de aparelho, qual o recurso que deve ser buscado no equipamento, enfim, uma visão geral dos principais materiais usados em iluminação.

PC – PANO CONVEXO: Equipamento mais comum nos teatros, o famoso PC, ou plano-convexo leva esse nome por que utiliza uma lente plano-convexa para fazer com que os raios luminosos tenham uma incidência focalizada em determinado campo e produza uma fonte luminosa bastante definida. Sua utilização é bastante variada, pois esse equipamento possui grande versatilidade.
Usada em Gerais, banhos de cores, focos com definição (luz dura), focos indefinidos (luz soft), back lights (contra-luzes), podem ser criados com esse “pincel”. Para criação de luz soft, adicionam-se filtros difusores ou silk, assim como para desenhos retangulares utilizam-se barndoors. Outros efeitos podem ser conseguidos com prática e experiência, tais como: sombras projetadas, vitrais projetados, máscaras, etc.
Os plano-convexos podem ter diferentes potências, os mais comuns são os de 500W, 650W, 1000W, 2000W e utilizao Lâmpadas halogêneas.

FRESNELL: O fresnel leva esse nome devido a sua lente, inventada pelo físico francês Augustin Fresnel (1788 – 1827). Como o plano-convexo, o fresnel é um equipamento cuja luz pode ser considerada “dura”, porém, devido as características difusoras de sua lente, o equipamento fornece um detalhamento focal menos acentuado, diluindo a iluminação do centro à periferia. Muito útil na construção de gerais, contra-luzes, banhos e walls, o fresnel é o tipo de equipamento essencial dentro dos teatros.
Sendo sua luz mais suave, suas sombras são menos definidas. Encontramos esse tipo de equipamento em utilização nos teatros, estúdios de vídeo, tv e no cinema.
Suas potências variam muito e no cinema criam uma iluminação muito apropriada para efeitos de luz do dia com utilização de lâmpadas HMI de alta potência.

SCOOP: Também conhecido como panelão, produz iluminação bem soft. Sua luz abrange uma grande área. Utilizado para preenchimento (fill light). Esse equipamento é o antecessor dos set-lights.

REFLETOR PAR (canhão): Leva esse nome porque possui uma lâmpada com espelho parabólico (Parabolic Alumized Reflector). Essas lâmpadas são encontradas em variados ângulos de espelhamento (par38, par56, par64, par20, par36, entre outras). Seu foco é definido, ovalado e muito brilhante.
Os ângulos de abertura da luz dependem também dos tipos de bulbos e formato das lentes frontais. É muito utilizada em teatros e shows. São usadas em estúdios apenas quando uma estética particular os exige.
São encontradas em diversas potências que variam de 20w a 1000w.

Elipsoidal (LYCO): Equipamento cujo foco é bem definido proporcionando luz dura. Utilizado geralmente para projeção e recortes de imagens no fundo de estúdios e para efeitos no teatro. Alguns teatros também os utilizam para gerais de frente. As projeções são feitas através de gobos de aço, duralumínio ou gobos de vidro dicroico refratário com imagens e efeitos.
Para abertura focal o equipamento possui uma íris mecânica, para os recortes jogos de facas e para projeções os porta-gobos que podem ser unitários e estáticos ou duplos e rotativos, que servem para criação de efeitos dinâmicos. Existem também máquinas de efeitos para acoplagem na parte frontal do canhão, que permite troca de cor, troca de gobo e outros tipos de filtros.
São encontrados nos mais diversos tipos de abertura focal e regulagem, e nas mais diversas potências.

Ciclorama: Como o nome já diz, utilizado para projeção de fundos em cicloramas (painel de fundo de cenários e estúdios que possuem características semi circulares – fundo infinito) de palco e estúdios. Iluminação soft de grande abertura angular. Muito utilizado com cores para dar ambiência e profundidade em cenários.

Mini Brute (Brut): Esse equipamento fornece uma grande quantidade de luz. Funciona com jogos de lâmpadas PAR. É bastante utilizado em shows para efeitos de grande impacto, principalmente sobre o público.
Pode ser utilizado em grandes estúdios para preenchimentos de grandes áreas. Em Cinema, pode ser usado para iluminar grandes cenários e também como luz principal para captações de alta-velocidade, ou, para filmagem em macro.
São comumente montados com conjuntos que variam de 1, 2, 4, 6, 8 lâmpadas tipo PAR36 DWE de 650w.

Canhão Seguidor: Utilizado para projeção de focos definidos em atores e cenários. Muito pouco utilizado em estúdios, a não ser em programas de televisão e cinema (efeitos específicos). Encontramos em diferentes potências. Geralmente manuseado manualmente sobre um tripé de apoio. Possui sistema de troca e mistura de cores, pode possuir função de projeção de gobos, e controle de distância e ponto focal.
São muito utilizados em eventos e apresentações para manter o foco no assunto principal e em destaques.

Soft Light (geladeira): Como o nome já diz, esse equipamento fornece uma iluminação soft, ou seja, um banho de luz bastante homogêneo e geralmente atinge uma área extensa. Ele é indicado para luzes de preenchimento (fill light) mas pode também funcionar como iluminação principal (key light) em filmagens e cinema.
Esses equipamentos podem ter variadas potências. São indicados também para preenchimento de fundo de cenários (walls) sem sensação de profundidade. Atualmente, mais amplamente utilizados em filmagens são produzidos com lâmpadas tipo fluorescentes de maior temperatura de cor (5900ºK) e com aberturas e recursos variados.

Set Light: Iluminação também soft, porém, com uma definição focal larga. É de costume utilizar esse equipamento com filtros de papel vegetal para suavizar os detalhes e também com filtros de acetato ou dicroicos para efeitos com cores.
Indicados tanto para key light como para fill light. Geralmente são encontrados com lâmpadas de potências variadas: 300W, 500W, 1000W, 2000W. São bastante utilizados em gravações de “externas” devido a sua maleabilidade e escalabilidade.

Espero ter coberto as principais utilizações de equipamentos de iluminação teatral e também, ter dado uma visão geral dos recursos que podemos utilizar para criar a iluminação de ambientes e definir ideias de lugares e climas.

Texto original aqui

 


Paleta de Cores

 


EXTRAs


E.


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como a natureza se organiza? (moral?)

http://n-1publications.prosite.com/61727/2790207/catalog/o-corpo-utopico-as-heterotopias-le-corps-utopique-les-heterotopies

Um outro tom de Foucault. Um outro Foucault. Mais confessional e mais próximo da literatura. O corpo utópico, As heterotopias reúne duas conferências de 1966, que permaneciam inéditas até recentemente, seguidas de um posfácio assinado por Daniel Defert.
“Em todo caso, uma coisa é certa, o corpo humano é o ator principal de todas as utopias. Afinal, uma das mais velhas utopias que os homens contaram para si mesmos não é o sonho de corpos imensos, desmesurados, que devorariam o espaço e dominariam o mundo? É a velha utopia dos gigantes, que encontramos no coração de tantas lendas, na Europa, na África, na Oceania, na Ásia, esta velha lenda que há tão longo tempo nutre a imaginação ocidental, de Prometeu a Gulliver.” (O corpo utópico)
“Pois bem, sonho com uma ciência – digo mesmo uma ciência – que teria por objeto esses espaços diferentes, esses outros lugares, essas contestações míticas e reais do espaço em que vivemos. Essa ciência estudaria não as utopias, pois é preciso reservar esse nome para o que verdadeiramente não tem lugar algum, mas as hetero-topias, espaços absolutamente outros; e, forçosamente, a ciência em questão se chamaria, se chamará, já se chama ‘heterotopologia’.” (As heterotopias)

 

 

 

 

 

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