Inspiração | 3NÓS3

Inspiração

3NÓS3

 

Histórico
Formado pelos artistas plásticos Hudinilson Jr. (1957-2013), Mario Ramiro (1957) e Rafael França (1957-1991) o grupo 3NÓS3 realiza ações que questionam os espaços da cidade de São Paulo de 1979, ano em que é fundado, até 1982. Graduados em artes plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Mario Ramiro e Rafael França já se conhecem antes de 1979, ano em que planejam, junto com a artista plástica Marilia Gruenwaldt, uma exposição na estação São Bento de metrô. Hudinilson Jr., formado em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) integra o grupo a convite de Ramiro, com quem trabalha na prefeitura de São Paulo. A exposição, composta por carimbos feitos por Marilia e xilogravuras dos outros artistas, inclui oficinas oferecidas ao público. Na ocasião, França, Ramiro e Hudinilson Jr. se aproximam dos punks que, ao fugirem da repressão policial, escondem-se no metrô e participam das oficinas. Interessados neste contato direto com o público, os três artistas passam a se encontrar e estudar textos sobre arte conceitual e earth art. Desses encontros, surge a ideia de fazer intervenções artísticas nos espaços públicos da cidade.

Livro | Manuel de Barros | Ensaios Fotográficos

Fotografia, Inspiração, Livro

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Manoel de Barros BARROS, M. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

Em ‘Ensaios Fotográficos’, Manoel de Barros mistura árvores e Bach, une Maiakovski a pássaros, mescla Shakespeare e Buson aos pequenos seres manoelinos, combina Rabelais com as pedras. O poeta usa a idéia da imagem e da fotografia na busca do instante-nada das coisas, encarna um fotógrafo que retrata o silêncio, o perfume, o vento.

Nesta leitura da obra de Manoel de Barros, tentaremos identificar diferentes modos de relação entre visualidade e discursividade lírica, enfatizando, sobretudo, o diálogo dos seus textos com a fotografia, arte técnica que segundo Benjamin deflagra todo um processo de mudança contextuais e de novas reflexões em torno das artes visuais na modernidade.

Livro | A Câmara Clara | Roland Barthes

Fotografia, Inspiração, Livro

Roland Barthes termina a sua obra derradeira com o vislumbre de duas escolhas possíveis na Fotografia: a fotografia do realismo contingente a preocupações de teor estético e empírico ou a fotografia do realismo puro e absoluto, aquela que transporta consigo “o despertar da inacessível realidade”

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edição original:

 

https://nunonogueiraferreira.wordpress.com/2009/04/27/a-camara-clara-roland-barthes-1980/

Livro | Filosofia da Caixa Preta | Vilém Flusser

Fotografia, Inspiração, Livro

Quem escreve precisa de dominar as regras da gramática e da ortografia. O fotógrafo amador apenas obedece a «modos de usar», cada vez mais simples, inscritos no lado externo do aparelho. democracia é isto. Deste modo, quem fotografa como amador não pode decifrar fotografias. A sua «praxis» impede-o de fazê-lo, pois o fotógrafo amador, crê que o fotografar é o gesto automático graças ao qual o mundo vai aparecendo. Impõe-se uma conclusão paradoxal: quanto mais gente houver a fotografar, tanto mais difícil se tornará o deciframento de fotografias, já que todos acreditam saber fazê-las…”

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http://abblau.blogspot.com.br/2008/02/vilm-flusser-ensaio-sobre-fotografia.html